a Murilo Riuto
Partiu amigo da infância de um mal severo
Despedida em vida seria desilusão de resgate
Em morte, à mortuária, nódua na primeira
O que foi do tempo nu da pecha da adultice
Deixemos nos confins dos descompromissos
É lá que se aproveita o genuíno da meninice
Nossos corpos terrenos cumpriram a tarefa
Uniram no sagrado qualquer almas céticas
Surpreenderam-nas em aura para sempre compartida
O império dos regozijos implanta-se no pensamento
Define o que é o humano particular
E aglomera sinais no coletivo da história
E dessa indefinição do tempo enterrado com o amigo
Até o tempo sublimado no encontro de crianças
Desses momentos puros, se existem, cuidam os artistas