domingo, 21 de junho de 2026

Terracota

a Murilo Riuto


Dos momentos puros, se existem, cuidam os artistas


Partiu amigo da infância de um mal severo

Despedida em vida seria desilusão de resgate

Em morte, à mortuária, nódua na primeira


O que foi do tempo nu da pecha da adultice

Deixemos nos confins dos descompromissos

É lá que se aproveita o genuíno da meninice


Nossos corpos terrenos cumpriram a tarefa

Uniram no sagrado qualquer almas céticas

Surpreenderam-nas em aura para sempre compartida


O império dos regozijos implanta-se no pensamento

Define o que é o humano particular

E aglomera sinais no coletivo da história


E dessa indefinição do tempo enterrado com o amigo

Até o tempo sublimado no encontro de crianças


Desses momentos puros, se existem, cuidam os artistas