segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
domingo, 21 de julho de 2019
Moderno
Há uma linha que divide o olhar na aurora
e um chão que se despedaça.
Ambos repletos de corpos expostos
desde um moço amanhecer.
Há um _fogo morto_ vivo de luz,
frio de ideias.
Ele foi ateado a um tempo
modulado em dinamismos,
envelhecido nos resultados.
Alcanço veias de reativação,
contorno vórtices celestes.
Mas não chego a mim uno,
não reviro minhas estruturas de colapso.
Mordo essa corda longa a mim atada,
e me corto profundamente nos elos
com os muitos que se penduram ao meu lado.
e um chão que se despedaça.
Ambos repletos de corpos expostos
desde um moço amanhecer.
Há um _fogo morto_ vivo de luz,
frio de ideias.
Ele foi ateado a um tempo
modulado em dinamismos,
envelhecido nos resultados.
Alcanço veias de reativação,
contorno vórtices celestes.
Mas não chego a mim uno,
não reviro minhas estruturas de colapso.
Mordo essa corda longa a mim atada,
e me corto profundamente nos elos
com os muitos que se penduram ao meu lado.
terça-feira, 16 de julho de 2019
Tic-tecs
Tic- tecs
Nunca mais ouvi relógios.
Digitalizo meu tempo
E um painel de cores fortes
Enche a vida de contingências.
Posto uma imagem ligeira
presa ao momento do flash.
E sem culpar as estrelas,
a alma é lavada no viés.
É o cordão novo sem nó
sem rastro nem lastro a
aumentar filas de sós,
de ligados sem contato.
Mas rebelei cliques, telas.
E desafiei o virtual
a baixar secreta ideia:
recriar meu tempo-lugar.
A mão sinaliza a voz,
ponho-me todo a pulsar.
Vibro no coração das prosas
rugindo à cidade e ao mar.
(a São Bernardo ,
Graciliano Ramos)
(I)
Nunca mais ouvi relógios.
Digitalizo meu tempo
E um painel de cores fortes
Enche a vida de contingências.
Posto uma imagem ligeira
presa ao momento do flash.
E sem culpar as estrelas,
a alma é lavada no viés.
É o cordão novo sem nó
sem rastro nem lastro a
aumentar filas de sós,
de ligados sem contato.
Mas rebelei cliques, telas.
E desafiei o virtual
a baixar secreta ideia:
recriar meu tempo-lugar.
(II)
Compartilho meu destino
de visadas e discursos
que menos dizem de mim,
e mais me cismam ao mundo.
Novos lumes e ritmias
espalham numa saleta
os concertos luzidios
às marchas de uma ampulheta.
A mão sinaliza a voz,
ponho-me todo a pulsar.
Vibro no coração das prosas
rugindo à cidade e ao mar.
Reúno magia e matéria,
dedilho a fala, entoo o corpo
na rede a contar tic-tecs
desse algo-ritmo de um povo.domingo, 5 de maio de 2019
Marcos Agmar de Andrade: Modo Avião
Marcos Agmar de Andrade: Modo Avião: Em um papel de cantos retraídos despejei grãos de retórica e dobrei. Terra atrai tanto a semente mal caída, cereja em flor, e o avião que...
Modo Avião
Em um papel de cantos retraídos
despejei grãos de retórica e dobrei.
Terra atrai tanto a semente mal caída,
cereja em flor, e o avião que lancei.
Pelo artefato sem prumo no bico,
voa apelo ao povo rente de saber.
Mas bate em portas e paredes ricas,
cai noutro cesto sem nada a prover.
E ao solo, seara e última trincheira,
pequena folha esgarçada de dó,
ruma vencida sem vinco nem ponta.
Traz um recado de nula parelha:
A todo excesso a matéria ignora,
Mas supre o justo, e arte se encontra.
despejei grãos de retórica e dobrei.
Terra atrai tanto a semente mal caída,
cereja em flor, e o avião que lancei.
Pelo artefato sem prumo no bico,
voa apelo ao povo rente de saber.
Mas bate em portas e paredes ricas,
cai noutro cesto sem nada a prover.
E ao solo, seara e última trincheira,
pequena folha esgarçada de dó,
ruma vencida sem vinco nem ponta.
Traz um recado de nula parelha:
A todo excesso a matéria ignora,
Mas supre o justo, e arte se encontra.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Edifício Espelhado
somos de início dois espelhos
alvo e modelo um para o outro
fera à espreita e a sem saída
que não dizem respeito ao mundo
e esquadrinhando seu alicerce
espero os meus serem seus olhos
como um rito que mitifica
veios que atingem sua embocadura
(ventos que batem esquadrias)
nosso encontro é como uma prece
assento lágrimas tijolos
lanço pedras de naftalina
a um só tempo meio e produto
algo instrumento da paz feito
no entanto atávica e sem hora
ainda bafejo um ar egoísta
condensado pela cultura
sinta-me perto e um tanto a esmo
e se reflita parte absorto
na causa de si que me fita
parte na minha que te assunta
nosso reflexo é chama acesa
que inflama reinos enganosos
ácidos longevos e tristes
que agora nos têm com gastura
porque de lama e areia se ergue
esta imagem justaposta
de muitos iguais e cindidos
que veem a si e um fim a sua altura
fera à espreita e a sem saída
que não dizem respeito ao mundo
e esquadrinhando seu alicerce
espero os meus serem seus olhos
como um rito que mitifica
veios que atingem sua embocadura
(ventos que batem esquadrias)
nosso encontro é como uma prece
assento lágrimas tijolos
lanço pedras de naftalina
a um só tempo meio e produto
algo instrumento da paz feito
no entanto atávica e sem hora
ainda bafejo um ar egoísta
condensado pela cultura
sinta-me perto e um tanto a esmo
e se reflita parte absorto
na causa de si que me fita
parte na minha que te assunta
nosso reflexo é chama acesa
que inflama reinos enganosos
ácidos longevos e tristes
que agora nos têm com gastura
porque de lama e areia se ergue
esta imagem justaposta
de muitos iguais e cindidos
que veem a si e um fim a sua altura
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